ABQ - Associação Brasileira de Química

CONTEUDO COPIADO PARA FINS DE CONHECIMENTO E DE EXPANÇÃO DO TRABALHO DESENVOLVIDO NO MEIO CIENTIFICO ACADEMICO.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

 PROFESSORES DE QUIMICA FAÇA A DIFERENÇA NA SUA SALA DE AULA



TÍTULO: Educação Inclusiva e o Ensino de Química na Escola Estadual Professor Camilo Dias, Boa Vista, Roraima

AUTORES: Anastácio, G. (UERR) ; Rizzatti, I. (UERR)

RESUMO: A educação inclusiva e/ou especial é atualmente o maior desafio do sistema educacional. Este trabalho teve como objetivo identificar os problemas enfrentados pelo professor de química e pelo aluno com deficiência auditiva durante as aulas de química na Escola Estadual Camilo Dias, em Boa Vista. O levantamento dos dados foi feito através de observações, questionário e entrevista. A análise destes dados, realizada de forma reflexiva, mostrou que apesar do professor ter um curso básico de libras, isto não é suficiente para ministrar uma boa aula e contribuir para o processo de ensino-aprendizagem. Além disso, os cursos de Licenciatura em Química ofertados em Roraima não ofertam disciplinas que preparam o professor para enfrentar esta realidade nas salas de aula.

PALAVRAS CHAVES: Educação Inclusiva; Ensino de Química; Deficiência Auditiva

INTRODUÇÃO: Uma das grandes dificuldades enfrentada por muitos professores de diversas áreas do conhecimento, em especial, os professores de Química, é ministrar aula para alunos portadores de necessidades educativas especiais (NEE), tendo em vista que não foram preparados durante a sua formação inicial para esta realidade. A grande maioria dos cursos de licenciatura em química não ofertam em sua grade curricular disciplinas para capacitação ou preparação dos futuros professores para esta realidade cada vez mais presente no ambiente escolar. Este trabalho teve como objetivo apontar as principais dificuldades encontradas no ensino de Química pelo aluno e professor licenciado em química da Escola Estadual Professor Camilo Dias, localizada em Boa Vista, capital do estado de Roraima. Esta pesquisa procurou identificar e refletir sobre os problemas, com o intuito de propor o desenvolvimento esquemático de ações para superar essas dificuldades e, posteriormente, a discussão sobre políticas públicas e legislação que rezam a inclusão de alunos portadores de necessidades especiais em salas de aula regular, destacando, também, a importância da inclusão de disciplina de Educação Especial Inclusiva para os cursos de licenciatura ofertados no Estado de Roraima. Além disso, nesse contexto surgem vários questionamentos: Quais as dificuldades dos alunos com NEE na aprendizagem de Química? Como a educação química pode contribuir para a inclusão escolar desses alunos?

MATERIAL E MÉTODOS: Em Boa Vista, Roraima, as escolas estaduais não possuem salas de recursos específicas para o atendimento de alunos com Necessidades Educativas Especiais (NEE). Desta forma, cada escola estadual é responsável pelo atendimento destes alunos. Após, levantamento junto a algumas escolas da capital Boa Vista para identificar quais tinham em suas turmas de Ensino Médio Regular alunos com NEE, foi escolhida a Escola Estadual Professor Camilo Dias, que tem uma aluna regularmente matriculada e apresenta Deficiência Auditiva DA). A avaliação do trabalho teve como base o registro de observações, aplicação de questionários e entrevista com o professor de química do Ensino Médio e com aluna com DA, com o objetivo de perceber como acontece a inclusão escolar desta aluna e quais as principais dificuldades do professor e aluno durante essas aulas. O questionário para o professor continha 39 questões, sendo 18 fechadas e 21 abertas. E a entrevista com a aluna, feita com o auxílio de um intérprete, questionou quais as dificuldades encontradas pela aluna com a disciplina de química, além disso, foi realizada visita aos pais para conhecer o cotidiano desta aluna. Foram entrevistados ainda coordenador pedagógico, diretor e alguns colegas de turma da aluna.

RESULTADOS E DISCUSSÃO: A professora de química entrevistada trabalha apenas nesta escola, lecionando as disciplinas de química, matemática e iniciação científica, e há mais de 11 anos atua como professora. Com relação às dificuldades apontadas por ela no ensino de química para alunos com DA, destacou que possui curso básico de Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS), contudo este não é suficiente para repassar os conteúdos de química, e comentou que sua formação inicial de graduação não contribuiu e nem a preparou para ministrar aulas para esses alunos. A professora falou que realiza atendimento diferenciado e conta com o auxílio de um professor intérprete de libras e destacou que, “a inclusão é de grande importância para a vida desses alunos, mas existem grande dificuldade e disponibilidade de profissionais capacitados na área para acompanhá-los em sala de aula, pois sem a presença destes profissionais qualificados é impossível realizar um ensino de qualidade”. A aluna também foi entrevistada e ao responder as perguntas com o auxílio de um intérprete falou que tinha dificuldade em entender alguns assuntos e ficava sempre perguntando a professora quando não entendia, mas às vezes, não perguntava mesmo quando tem dúvidas. Comentou que seus colegas a ajudam, mas em casa não conta com auxílio para estudar química ou outra disciplina. Os colegas da aluna falaram que no início foi difícil conversar com ela, mas agora conseguem entender e até tentam ajudá-la quando tem alguma dificuldade, mas nem sempre conseguem explicar alguns assuntos. Ao analisar as respostas dos demais envolvidos na pesquisa, percebeu-se que a escola não está preparada para uma educação inclusiva especial, necessitando de pessoal qualificado e material pedagógico especial para atender estes alunos.

CONCLUSÕES: A partir da análise dos dados, acompanhamento da aluna com DA e do professor foi possível refletir sobre à educação inclusiva e o ensino de química, principalmente, sobre os conteúdos e estratégias didáticas que dificultam o aprendizado de Química. Entre as maiores dificuldades estão à explicação de conteúdos sem relação com a dia-a-dia, interpretação e utilização de equações químicas. Desta maneira, os recursos didático-pedagógicos poderiam ser utilizados e/ou desenvolvidos, e a proposição de estratégias diferenciadas para o professor, na tentativa de auxiliar a compreensão destes conteúdos.

AGRADECIMENTOS: Escola Estadual Camilo Dias e Universidade Estadual de Roraima.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICA: BERNADELLI, M. S. Encantar para ensinar Um procedimento alternativo para o ensino de Química. In: Convenção Brasil Latino América, Congresso Brasileiro e Encontro Paranaense de Psicoterapias Corporais. Foz do Iguaçu. Anais Centro Reichiano, 2004. [ISBN -85-87691-12-0]. BRASIL. Ministério da Educação, Secretaria de Educação Especial. Direito à educação - necessidades educacionais especiais: subsídios para atuação do Ministério Público Brasileiro. Brasília: MEC, SEESP, 2001, p. 14. MARQUES, R. R. Educação de Jovens e Adultos: Um diálogo sobre a educação e aluno surdo. In : QUADROS, Ronice M.; PERLIN, Gladis, (Orgs). Estudos Surdos II. Petrópolis, RJ: Arara Azul, 2007. Notícias de Gestão - Pesquisa aponta Indicadores da Qualidade na Educação. Conselho Nacional de Secretários de Educação. Revista Gestão em Rede, no 54, junho, 2004. 14-18. SILVA, A. F.; BRANCO, C.; MELLO, M. C. A inclusão escolar de alunos com necessidades educacionais especiais – Deficiência Física. Imprensa: Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Especial, 2006, p. 07; 23; 48; 49.

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